Peças do toca-discos, em 3D

Desmonte uma vitrola peça por peça, veja o que cada parte faz e o que costuma quebrar, ou siga uma lição no modelo: montar, trocar a agulha ou a correia, nivelar.

Modelo 3D interativo de um toca-discos com acionamento por correia

Modelo 3D feito pela VinylAI. Nenhum projeto de fabricante é exibido.

As 22 peças de um toca-discos de correia

Todo toca-discos tem os mesmos três sistemas: algo que faz o disco girar, um braço que o lê e um corpo que barra a vibração. Toque num nome para achar a peça no modelo acima.

Acionamento

O que faz o disco girar

Um motor pequeno, em geral CC ou síncrono CA, fica longe do braço para que a vibração dele não entre no sinal.

O que costuma dar errado: Zumbido ou velocidade que oscila depois de aquecer.

A polia escalonada no eixo do motor. Em muitos toca-discos de correia, você passa a correia para o degrau maior para tocar a 45 rpm.

O que costuma dar errado: Polia suja deixa a correia escorregar.

Uma tira de borracha que leva a rotação do motor ao subprato e filtra a vibração do motor.

O que costuma dar errado: A correia estica e endurece com o tempo. Velocidade lenta ou oscilante é o sinal clássico.

O cubo interno em volta do qual a correia passa. O prato pesado fica sobre ele.

O que costuma dar errado: Óleo ou sujeira na borda faz a correia escorregar.

O disco pesado que faz o vinil girar. A massa dele suaviza pequenas variações de velocidade, que se ouvem como wow e flutter.

O que costuma dar errado: Prato empenado ou rolamento seco aparece como oscilação ou ruído de rumble.

Feltro, borracha ou cortiça entre o prato e o disco. Segura o disco e amortece a ressonância do prato.

O que costuma dar errado: O feltro acumula poeira, que acaba nos seus discos.

Como limpar um toca-discos →

O pino que centraliza o disco. Embaixo dele fica o rolamento principal, onde o prato inteiro gira.

O que costuma dar errado: Rolamento seco aumenta o rumble.

Alterna entre 33⅓ e 45 rpm, de forma eletrônica ou movendo a correia na polia.

O que costuma dar errado: Velocidade errada muda o tom e o andamento. Confira com um disco estroboscópico.

Braço e cápsula

O que lê o sulco

Leva a cápsula pelo disco sobre um pivô. Precisa se mover livremente e manter a agulha firme no sulco.

O que costuma dar errado: Rolamento duro faz a agulha pular ou perder o sulco.

Abriga os rolamentos do braço. Em braços ajustáveis, também define a altura do braço, o que muda o ângulo da agulha no sulco.

O que costuma dar errado: Fixação frouxa causa chiado e perda do sulco.

Equilibra o braço e define a força de apoio, a pressão para baixo sobre a agulha, medida em gramas.

O que costuma dar errado: Leve demais pula; pesado demais gasta os discos mais rápido.

Força de apoio explicada →

Empurra o braço de leve para fora, contra a tendência de ir para o centro, para que as duas paredes do sulco se desgastem por igual.

O que costuma dar errado: Mal ajustado, um canal distorce mais que o outro.

Sobe e desce o braço devagar, para que a agulha nunca caia sobre o disco.

O que costuma dar errado: O fluido de amortecimento seca e o braço desce rápido demais.

Segura o braço quando o toca-discos está desligado, em geral com uma trava para transporte.

O que costuma dar errado: Mover o toca-discos sem a trava pode entortar o cantilever.

A ponta do braço que segura a cápsula. Alguns se soltam do braço, outros são fixos.

O que costuma dar errado: Parafusos frouxos ou contatos oxidados fazem um canal sumir.

Transforma os movimentos minúsculos da agulha em sinal elétrico. A de ímã móvel é a mais comum; a de bobina móvel tem saída menor.

O que costuma dar errado: Desalinhamento causa distorção perto do fim de cada lado.

A ponta de diamante que corre no sulco. Ela se desgasta com as horas de uso, e muitas cápsulas aceitam uma agulha de encaixe como reposição.

O que costuma dar errado: Ponta gasta soa áspera nas passagens fortes e pode danificar os discos.

Quando trocar a agulha →

Corpo

O que mantém tudo firme

A estrutura que sustenta tudo. A massa e o amortecimento dela mantêm o ruído do motor e os passos longe da agulha.

O que costuma dar errado: Ressonância aparece como zumbido ou microfonia em volume alto.

Isolam o toca-discos do móvel. Os pés ajustáveis servem para nivelar o aparelho.

O que costuma dar errado: Toca-discos desnivelado puxa o braço para um lado.

Como nivelar um toca-discos →

Protege o prato, o slipmat e o braço da poeira.

O que costuma dar errado: Melhor mantê-la fechada sempre que o aparelho não estiver em uso.

Seguram a tampa aberta em qualquer ângulo com tensão de mola.

O que costuma dar errado: As molas enfraquecem com os anos e a tampa começa a cair.

Enviam o sinal ao amplificador. O sinal da cápsula precisa de um pré-amplificador phono, embutido ou separado, antes de uma entrada de linha comum.

O que costuma dar errado: Ligado a uma entrada de linha sem pré-amplificador, o som fica fino e baixo.

Acionamento por correia ou direto?

O modelo acima usa correia. O outro projeto comum coloca o prato direto sobre o motor.

Acionamento por correia

  • O motor fica ao lado e gira o prato por meio de uma correia de borracha.
  • A correia absorve a vibração do motor antes que ela chegue ao disco.
  • A correia se desgasta e é trocada a cada poucos anos.
  • A maioria dos toca-discos domésticos e de entrada funciona assim.

Acionamento direto

  • O prato fica sobre o próprio motor, sem correia no meio.
  • Atinge a velocidade rápido e a mantém sob a mão de um DJ.
  • Não há correia para desgastar.
  • Toca-discos de DJ e muitos clássicos japoneses usam esse sistema.

Lições passo a passo

Cada lição acontece no modelo, um passo de cada vez. Toque num cartão para começar.

Trocar a agulha: os 5 passos em texto
  1. Estacione o braço. Pare o prato e desligue o toca-discos. Levante o braço com o elevador, apoie-o no descanso e feche a trava; se houver protetor da agulha, coloque-o. Por quê: Você vai puxar a cápsula. Com o braço preso, ele não bate no prato enquanto isso. Dica: Trabalhe com boa luz e com o toca-discos na frente da prateleira, para alcançar a cápsula de frente.
  2. Tire a agulha antiga. Segure o corpo da cápsula parado com uma das mãos. Com a outra, pegue o corpo de plástico da agulha, não o cantilever fino, e puxe-o para a frente, para fora da cápsula. Em muitas vitrolas, você primeiro pressiona a borda da frente para baixo e depois puxa. Por quê: A agulha de encaixe é presa só por atrito ou por uma pequena trava. Puxar reto, no eixo da cápsula, tira o esforço do braço e dos rolamentos dele. Dica: O manual traz um desenho desse movimento exato. Se ela não sair com um puxão leve, releia antes de fazer mais força. Quando trocar a agulha →
  3. Encaixe a nova. Alinhe a agulha nova com a fenda na frente da cápsula e empurre reto até ela ficar rente, ou até estalar nos modelos com trava. Deixe o protetor nela. Por quê: Uma agulha que não encaixou por completo fica num ângulo errado no sulco. O som pode ficar fino ou mais alto de um lado. Dica: Use só a agulha que o fabricante da cápsula ou do toca-discos indica como reposição. A página de cada modelo traz esse código e o link para a página do fabricante.
  4. Confira a força de apoio. Se o braço tem contrapeso e a agulha nova é de outro modelo (um upgrade, por exemplo), ajuste a força de apoio indicada pelo fabricante dela. Uma reposição igual mantém o ajuste que você já tinha. Por quê: Cada agulha é projetada para uma faixa de força. Pouca e ela pula; muita e gasta discos e a si mesma mais rápido. Dica: Toca-discos sem contrapeso têm a força definida de fábrica. Não há nada a ajustar. Força de apoio explicada →
  5. Toque e ouça. Tire o protetor, ponha um disco que você conhece bem e abaixe o braço com o elevador. Ouça os dois canais e se as passagens fortes saem limpas. Por quê: Um disco conhecido é o teste mais rápido: você sabe como ele deve soar. Dica: Anote a data. A vida da agulha se conta em horas de uso, e a data ajuda a estimar depois.
Trocar a correia: os 6 passos em texto
  1. Tire o slipmat. Desligue o toca-discos e tire da tomada. Levante o slipmat do prato. Por quê: A correia fica embaixo do prato, então tudo o que está acima dela precisa sair antes. Dica: Deixe o slipmat virado para cima numa superfície limpa, para não pegar poeira.
  2. Tire o prato. Segure o prato pela borda com as duas mãos e levante-o na vertical, tirando-o do eixo. Por quê: Inclinar o prato na subida pode arranhar o eixo e o rolamento em que ele gira. Dica: Em muitos toca-discos básicos a correia passa por dentro do próprio prato, sem subprato separado. Nesse caso ela sai junto com o prato, e a nova entra por uma abertura no prato.
  3. Retire a correia velha. Tire a correia velha da polia do motor e levante-a do subprato. Por quê: A correia estica e endurece com o tempo. Aí ela escorrega na polia, e o disco toca devagar ou com o tom oscilando. Dica: Olhe a correia velha antes de jogar fora. Se estiver brilhante, rachada ou esticada, o diagnóstico está confirmado.
  4. Coloque a correia nova. Passe a correia nova em volta da borda do subprato e depois estique-a sobre a polia do motor. Mantenha-a plana, sem torcer. Por quê: Uma correia torcida roça nela mesma e deixa a velocidade irregular. Dica: Só com os dedos limpos e secos. A oleosidade da pele faz a correia nova escorregar. Limpe a polia e a borda do subprato antes de montar.
  5. Recoloque o prato. Abaixe o prato na vertical, sobre o eixo, até ele assentar no subprato. Por quê: A massa do prato mantém a velocidade constante depois que ele começa a girar. Dica: Abaixe, não solte. O rolamento embaixo do eixo é a peça que precisa continuar perfeita.
  6. Slipmat de volta, confira a velocidade. Recoloque o slipmat, ligue o toca-discos e toque um disco que você conhece a 33⅓ e depois a 45 rpm. Por quê: Uma correia nova resolve na hora a velocidade lenta ou oscilante. Se ainda estiver errada, vale olhar o ajuste de velocidade ou o motor. Dica: Um disco estroboscópico ou um app de estroboscópio no celular mostra a velocidade com exatidão.
Nivelar o toca-discos: os 5 passos em texto
  1. Escolha um lugar firme. Coloque o toca-discos onde ele vai ficar: num móvel firme e estável, longe das caixas de som. Por quê: Caixas de som e uma mesa bamba passam vibração para a agulha, que se ouve como zumbido ou um uivo crescente. O nível vem depois disso. Dica: Um aparador encostado na parede balança menos que uma mesa no meio da sala.
  2. Ponha um nível no prato. Apoie um nível de bolha pequeno sobre o prato, entre o eixo e a borda. A bolha vai para o lado mais alto. Por quê: O disco fica apoiado no prato, então é essa a superfície que precisa estar nivelada, não a base nem a prateleira. Dica: Um nível de bolha redondo mostra as duas direções de uma vez. Um app de nível no celular também serve, se o celular ficar bem plano. Como nivelar um toca-discos →
  3. Gire os pés. Gire os pés ajustáveis do lado mais baixo, um pouco de cada vez, até a bolha ficar no meio do círculo. Por quê: Um toca-discos inclinado puxa o braço para um lado, e a agulha se apoia numa parede do sulco, gastando-a e gastando a si mesma de forma desigual. Dica: Se os pés forem fixos, levante o lado baixo com calços finos e firmes sob os pés.
  4. Confira em volta do prato. Leve o nível a alguns pontos em volta do prato e confira a bolha em cada um. Por quê: O toca-discos pode estar nivelado de lado a lado e ainda inclinado da frente para trás. Conferir em volta pega os dois casos. Dica: Confira de novo depois de mudar o aparelho de lugar ou se o móvel embaixo se mexer.
  5. Toque um disco. Tire o nível, ponha um disco e abaixe o braço com o elevador. Por quê: Com o prato nivelado, o braço acompanha o sulco com pressão igual nas duas paredes. Dica: Deixe a tampa fechada entre uma audição e outra, para manter a poeira longe do prato e da agulha.

Como montar um toca-discos

Da caixa ao primeiro disco em dez passos. Os mesmos passos rodam no modelo 3D acima. O manual do seu aparelho traz os números certos: força de apoio, posição da correia e qual entrada usar. Veja esses passos no modelo 3D →

  1. Nivele o toca-discos

    Coloque o toca-discos numa superfície firme e plana, longe das caixas de som. Gire os pés ajustáveis até a bolha de um nível sobre a base ficar centralizada.

    Por quê: Um toca-discos inclinado puxa o braço para um lado, e a agulha se apoia numa só parede do sulco.

    Dica: Um aparador encostado na parede balança menos que uma mesa no meio da sala.

    Como nivelar um toca-discos →

  2. Coloque a correia

    Passe a correia em volta da borda do subprato e depois estique-a sobre a polia do motor.

    Por quê: A correia leva a rotação do motor ao prato e mantém a vibração do motor longe dele.

    Dica: Pegue a correia com os dedos limpos e secos. A oleosidade da pele faz ela escorregar.

  3. Abaixe o prato

    Abaixe o prato na vertical, sobre o eixo, até ele assentar no subprato.

    Por quê: A massa do prato mantém a velocidade constante depois que ele começa a girar.

    Dica: Não deixe cair. O rolamento do eixo é a peça que precisa continuar perfeita.

  4. Ponha o slipmat

    Coloque o slipmat sobre o prato, centralizado no eixo.

    Por quê: Ele segura o disco e amortece a ressonância do prato de metal.

    Dica: O feltro junta poeira. Escove de vez em quando para ela não ir parar nos seus discos.

  5. Instale a cápsula

    Parafuse a cápsula no headshell e ligue os quatro fios pequenos pela cor: vermelho e verde para o canal direito, branco e azul para o esquerdo.

    Por quê: A cápsula transforma o movimento da agulha em sinal. Um fio solto faz um canal sumir.

    Dica: Deixe o protetor da agulha até o último passo. Muitos toca-discos básicos já vêm com a cápsula instalada.

  6. Equilibre o braço

    Encaixe o contrapeso na parte de trás do braço. Com o antiskating em zero, gire o peso até o braço flutuar na horizontal e então leve o seletor a 0 sem girar o peso.

    Por quê: Um braço equilibrado é o ponto zero. A força de apoio é medida a partir dele.

    Dica: Segure o braço de leve enquanto gira o peso, para ele não balançar contra o prato.

  7. Ajuste a força de apoio

    Gire o contrapeso inteiro para a frente até a força indicada no manual da cápsula, em gramas.

    Por quê: Força de menos e a agulha pula; força demais e discos e agulha se desgastam mais rápido.

    Dica: Uma balança digital de agulha, barata, é o jeito fácil de conferir o seletor.

    Força de apoio explicada →

  8. Ajuste o antiskating

    Ajuste o controle de antiskating. Muitos manuais mandam começar com o mesmo número da força de apoio.

    Por quê: Ele compensa a tendência de o braço ir para o centro do disco, e as duas paredes do sulco se desgastam por igual.

    Dica: Se um canal distorcer perto do fim de um lado, mexa um pouco no ajuste.

  9. Conecte

    Ligue os cabos RCA a uma entrada phono ou, antes, a um pré-amplificador phono, se nem o amplificador nem o toca-discos tiver um embutido.

    Por quê: O sinal da cápsula é minúsculo e precisa da equalização phono antes de uma entrada de linha comum.

    Dica: Se o toca-discos tiver fio terra, ligue-o também. Isso evita zumbido.

  10. Toque um disco

    Ponha um disco, escolha a velocidade, tire o protetor da agulha e abaixe o braço com o elevador.

    Por quê: O elevador pousa a agulha com suavidade, em vez de deixá-la cair no sulco.

    Dica: Feche a tampa ao terminar, para manter a poeira longe do disco e da agulha.

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Toca-discos por modelo

Cada página de modelo mostra o aparelho em 3D, com a agulha, a correia e a cápsula de reposição listadas a partir do manual e das páginas de peças do próprio fabricante.

Guias para quem tem toca-discos

Perguntas frequentes

A base, o prato que faz o disco girar, o motor e a correia (ou o motor de acionamento direto) que o movem, o braço e a cápsula com a agulha. Em volta ficam os controles, as saídas e a tampa.
Sim, a menos que o toca-discos tenha um embutido ou o amplificador tenha entrada phono. O sinal de uma cápsula é muito mais fraco que um sinal de linha e precisa antes da equalização phono.
Num toca-discos de correia, a causa mais comum é uma correia esticada ou vitrificada. Confira se a velocidade selecionada está certa e depois troque a correia.
Depende do formato da ponta e de quão limpos estão seus discos. Os fabricantes dão a vida útil das agulhas em centenas de horas de uso. Passagens fortes ásperas e distorcidas são o sinal para conferir.

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